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02/14/2019
Por
MJV Team

Open Banking: o que é, como funciona e porque investir o quanto antes

A implementação de um sistema financeiro aberto no Brasil é o passo derradeiro em direção à digitalização do setor. A medida do Banco Central prevê o compartilhamento de dados de clientes para aprimorar produtos e serviços

Nos últimos anos, o setor bancário tem dado passos largos para melhorar a satisfação dos clientes, enxugar custos e, principalmente, estruturar operações para competir em pé de igualdade com as fintechs e gigantes da tecnologia.

Agora, o sistema financeiro brasileiro terá um trunfo: a regulamentação do Open Banking. Mas, afinal, o que é Open Banking? Como funciona? O que muda, de fato?

Nesse artigo, vamos responder essas perguntas, além de simplificar o conceito de sistema financeiro aberto. Continue lendo para conhecer os benefícios do Open Banking para as instituições bancárias e seus clientes!

Agora é oficial: o Open Banking está regulamentado no Brasil

No último mês de maio, o Conselho Monetário Nacional e o Banco Central criaram as diretrizes que vão reger o compartilhamento de dados e serviços bancários entre instituições financeiras no país.

A implementação será dividida em 4 fases e seguirá um cronograma que tem início a partir de 30 de novembro e previsão de finalização apenas em outubro de 2021. 

Amparado no consentimento do cliente para incluir as premissas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o Open Banking acena com a possibilidade do surgimento de novos produtos e serviços, sendo um passo importante para a digitalização do setor.

Os desafios dos bancos com a Transformação Digital

Antes de mergulhar no conceito de Open Banking e explicar seus benefícios, vamos revisitar os desafios que as instituições financeiras têm enfrentado com relação à Transformação Digital no setor.

No final da década passada, as fintechs — startups que fornecem serviços financeiros utilizando softwares e novos recursos tecnológicos — impressionaram o mercado com sua eficiência e competitividade.

Essas empresas perceberam rapidamente que os serviços eram mais aderentes quando integrados ao contexto dos usuários, predominantemente digital e pautado na conveniência. Isso criou um movimento totalmente novo no mercado.

Com soluções centradas no usuário (user-centric), as startups usaram tecnologias como Big Data e Inteligência Artificial para otimizar a experiência do consumidor e preencher lacunas que não estavam no radar das instituições financeiras tradicionais.

Além disso, as Big Techs, gigantes do ramo de tecnologia, como Amazon, Facebook e Apple, também entraram com força no mercado, lançando soluções próprias, principalmente no segmento de pagamentos digitais.

A competitividade alta teve seu lado bom: acelerou o ritmo da transformação digital no sistema financeiro como um todo. Agora, todos estão direcionando esforços na adaptação de suas ofertas ao digital, promovendo inovação, diferenciação e melhoria na experiência do cliente.

O que é Open Banking?

Open Banking é um termo que remete aos métodos de Inovação Aberta, pensados exclusivamente para o setor bancário. A ideia central é a prática da colaboração entre instituições bancárias, startups, fintechs e empresas de tecnologia no acesso a dados relevantes no desenvolvimento de soluções para os clientes.

O Open Banking propõe elaboração de produtos e serviços online, 100% digitais, e que resultem em melhoria de experiência para o usuário final. Assim, a instituição financeira atinge máxima capilaridade, passando a acompanhar o cliente nos espaços digitais, ampliando sua atuação, público, portfólio de serviços e tempo de contato.

É importante frisar que, quando citamos Open Banking, estamos falando sobre interfaces de programação de aplicativos (APIs), que permitem que terceiros acessem informações — nesse caso, financeiras — com eficiência. A plataforma de API aberta do banco deve ser capaz de conectar os dados do correntista à outras plataformas de sua escolha.

API aberta: o coração do Open Banking

Com a adoção mais tardia em relação a países como Reino Unido, a Alemanha e os EUA, o Brasil pôde observar procedimentos, compliance e o andamento das diferentes fases de implementação em algumas das maiores economias do mundo.

Bancos são grandes plataformas geradoras de insumos informacionais. Uma infinidade de dados transacionais passam por seus sistemas a todo instante. Se dados são o novo petróleo, o setor bancário tem uma mina de ouro nas mãos.

E o grande destaque observado foi o uso das interfaces de programação conhecidas como APIs para integrar dados e movimentar essas informações com maior segurança. A abordagem ganha cada vez mais relevância no mercado e reforça a ideia de que os usuários têm a decisão final sobre como usar seus dados.

As APIs abertas possibilitam uma análise mais sofisticada de um grande volume de dados por meio das tecnologias emergentes. Isso é uma ótima oportunidade para converter insights em novos produtos, mais aderentes, e guiar empresas rumo à estratégias com foco no usuário.

7 razões para investir em uma estratégia Open Banking

Confira, a seguir, quais são as sete vantagens que uma estratégia de Open Banking pode oferecer ao seu banco — ou: por que vale tanto a pena investir nessa tendência.

  1. Monetização de serviços: incremento significativo na rentabilidade, a partir de uma melhor utilização dos dados para conhecer e atender clientes com mais eficiência;

  2. Redução de custos: melhor uso da tecnologia para diminuir gastos tanto para a instituição bancária quanto para clientes e parceiros;

  3. Melhoria na experiência do cliente: diferenciação da concorrência dentro do setor e entre fintechs e big techs, a partir da satisfação do consumidor;

  4. Novos produtos e serviços: cultura de disrupção para a geração de produtos e serviços mais lucrativos e que atendam as necessidades do público alvo;

  5. Otimização de desenvolvimento e pesquisa de soluções: por meio de estratégias de dados, é possível tornar pesquisa e desenvolvimento mais eficientes, rápidos e baratos;

  6. Aceleração da transformação digital: ao firmar parcerias com startups e empresas de TI para a estratégia, por exemplo, é possível transpassar os obstáculos para a transformação digital;

  7. Ganho de valor: além da percepção dos clientes e de outros públicos de interesse, os bancos que atuam com inovação aberta elevam seu valor geral de mercado;

Conclusão

Como você viu, os esforços do Open Banking são um grande negócio para bancos, startups e empresas de TI. Também favorecem os clientes e, com o setor se movimentando para tal, podem modificar o ecossistema econômico de um país. 

Para finalizar, recomendamos 2 passos iniciais para as instituições bancárias que querem fazer da Inovação Aberta seu salto para o futuro:

  1. Mindset digital: é fundamental superar o passado e criar uma cultura onde processos e serviços sejam pensados e executados no ambiente digital. Estratégias user-centric, ecossistema ágil (especialmente para TI), gestão de risco e desburocratização de processos, entre outras iniciativas entram neste esforço. Com ajuda de consultorias especializadas e capacitação de lideranças, é totalmente possível implementar um mindset digital em prazos menores.

  2. Operacional tech-driven: também recomendamos a incrementação dos investimentos em plataformas de APIs internas, APIs abertas ao público, cibersegurança e computação em nuvem. Tudo isso para montar uma infraestrutura que suporte e garanta confiabilidade à estratégia Open Banking.
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