12/13/2018
By
MJV Team

Open Insurance: o que é e como funciona

Podemos resumir o conceito de Open Insurance como a aplicação das práticas de Inovação Aberta no mercado de seguros, por meio do fornecimento de serviços e dados a parceiros, comunidades e startups, a fim de criar novos serviços, aplicativos e modelos de negócios inovadores.

Mas podemos ir além. Afinal, para além da técnica, estamos diante de um movimento que une transformação digital e inovação aberta a novas formas de prestar serviços e fornecer produtos de seguros.

É o que nos propomos neste artigo. Continue lendo para ter uma visão macro de Open Insurance, como funciona, de que forma vem sendo aplicado ao redor do mundo — e agora está ganhando atenção no Brasil!

O que é Open Insurance?

Termo emergente na indústria de seguros, Open Insurance basicamente refere-se ao fornecimento de serviços e dados para parceiros, comunidades e startups, a fim de criar novos serviços, aplicações e modelos de negócios inovadores/disruptivos.

Na perspectiva técnica, o conceito principal de Open Insurance (que poderíamos traduzir para “seguro aberto”) vem da junção de arquiteturas de APIs abertas inseridas em aplicativos de seguros.

Nesse contexto, o acesso às APIs abertas viabiliza o compartilhamento de dados entre diferentes seguradoras, startups, bancos, InsurTechs (startups de seguros baseadas em tecnologia, inspiradas no modelo fintech) e outras organizações.

Esse novo conceito faz parte do movimento tecnológico que atualmente está inserido em diferentes momentos da nova jornada do consumidor de seguros. Apenas para citar um exemplo: o Big Data hoje é capaz de promover a análise de risco dos segurados através de dados históricos digitais, fornecendo ainda mais informações para as seguradoras.

Na prática, ao adotar APIs abertas, as seguradoras podem experimentar, colaborar e alavancar soluções inovadoras e modelos de negócio desenvolvidos pelas InsurTechs, de forma mais fácil. Certamente, em um mundo de startups aperfeiçoando análise de dados, Machine Learning, reconhecimento visual e Inteligência Artificial, e provando que existem opções que vão além dos sites de comparação de preços.

Qual a relação entre Open Insurance e Open Innovation?

Extremamente regulado, o mercado segurador ainda esbarra em burocracias que não beneficiam o consumidor. Ainda hoje, com a tecnologia mais acessível, informações relacionadas à apólices de seguros pessoais ou comerciais não são facilmente acessíveis ou compartilháveis.

Mas esse é o tipo de prática que, certamente, está em transformação. Governos e órgãos reguladores de todo o mundo estão observando, atentamente, como os dados financeiros podem beneficiar os consumidores e as empresas, com objetivo de promover desenvolvimento econômico e social.

Logo, podemos dizer que Open Insurance está intimamente ligado ao conceito de Open Innovation que, em poucas palavras, é o uso de fluxos de conhecimento intencionais para acelerar o poder inovador interno e expandir os mercados para uso externo da inovação. Uma vez que a inovação aberta é adotada, os limites da organização tornam-se permeáveis e permitem combinar os recursos com colaboradores externos.

No mercado financeiro e segurador, as práticas de inovação aberta envolvem o uso de tecnologias específicas, que permitem integrar sistemas com segurança — para usuários e empresas envolvidas. E são essas inovações tecnológicas que estão permitindo o desenvolvimento das práticas de Open Insurance.

Como a API aberta está revolucionando os mercados financeiro e segurador?

Como já pontuamos, em termos técnicos, o conceito principal de Open Insurance é a união entre arquiteturas de APIs abertas, aplicadas aos apps de seguros. Logo, a API é a tecnologia que proporciona a integração entre diferentes sistemas, permitindo alavancar as práticas de Open Insurance.

Aqui vale lembrar que API significa Application Programming Interface (Interface de Programação de Aplicativos, em português), o conjunto de padrões de programação que permite a construção de aplicativos, sua utilização e integração, de forma sutil — sem que o usuário perceba. Ela roda por trás de tudo, ou seja, enquanto o usuário usufrui de uma determinada funcionalidade, a API pode estar conectada a diversos outros sistemas e apps, sem prejudicar ou impactar outras funções.

As APIs podem se dividir em abertas ou privadas. As abertas possuem uso livre ou limitado a um número específico de acessos, enquanto as privadas são desenvolvidas para uso exclusivo de uma empresa.

Existem diversos serviços que disponibilizam seus códigos para uso em outros sites. O Google Maps pode ser considerado o exemplo mais evidente de API aberta: diferentes páginas pelo mundo fazem uso das suas funcionalidades, adaptando o código original às próprias necessidades.

As APIs também permitem que os desenvolvedores de softwares e aplicativos conectem tecnologias distintas, como diferentes banco de dados. Essas interfaces são como pontes, conectando aplicações diversas, que podem ser utilizadas para os mais variados tipos de negócio, em diferentes mercados e independente do tamanho da corporação.

A troca de dados proporcionada pelas APIs é feita com muita segurança, garantida por uma espécie de portal, onde apenas um conjunto específico de informações, definido pela empresa proprietária, permanece disponível.

As APIs são consideradas a chave para o processo de Transformação Digital nos bancos, por exemplo. Elas permitem a conexão entre sistemas de empresas diferentes, promovendo a realização de transações de forma automatizada e segura. Entre outras aplicações, é o que permite aos correntistas acessar suas informações bancárias através de apps de outras empresas, e não somente do próprio banco.

E essas inovações também estão permitindo que a disrupção chegue às empresas de seguros, através do Open Insurance. Conservador, sujeito a fraudes e extremamente regulado, este é, sem dúvida, um dos mercados em que as práticas de inovação aberta mais surpreendem.

Um exemplo? Um ótimo case de startup que já faz uso das estratégias de Open Insurance é a Lemonade. Desenvolvida nos Estados Unidos para ser uma seguradora digital, a empresa tem como meta tornar as práticas que envolvem o mercado de seguros tão simples e conectadas quanto assistir a um filme em um aplicativo de streaming.

No final do ano passado, a jovem seguradora lançou sua API pública, que permite a qualquer empresa oferecer seguros em um app, a partir da interface desenvolvida por ela.

O processo para oferecer seguro em um app, de forma instantânea, pode levar anos, já que se torna necessário reunir as licenças, a tecnologia e o capital necessários. O lançamento da API da Lemonade tem como objetivo facilitar e agilizar esse processo, já

que uma pessoa com pequena familiaridade em codificação pode incluir esses recursos no seu aplicativo, em questão de horas.

Conclusão

No mundo cada vez mais digital de hoje, as seguradoras precisam descobrir como gerenciar a enorme quantidade de dados gerada por seus negócios. O gerenciamento de dados é uma prioridade estratégica em toda a empresa, não apenas no departamento de TI.

Elas também precisam descobrir como extrair insights valiosos dessa enorme quantidade de dados, que geralmente é armazenada em vários lugares.

APIs ajudam as seguradoras a abrir suas fontes de dados; coletar dados de várias fontes e compartilhar dados com várias fontes, até mesmo terceiros. Isso permite que elas compartilhem informações em plataformas e ecossistemas digitais.

E, como vimos ao longo do texto, já há todo um movimento nessa direção. O aumento das atividades das startups e, consequentemente, dos investimentos pode ser beneficiado pelo compartilhamento de dados referentes a seguros, permitindo que startups e desenvolvedores obtenham mais informações em menos tempo. Também é interessante no sentido da autonomia para escolher parceiras e operar de forma mais independente.

Mas a redução das barreiras que ainda existem é muito importante para permitir acesso a dados que poderiam levar anos para acumular ou exigir altos custos de produção.

As empresas que não estiverem totalmente abertas, no sentido da implantação de APIs, podem restringir a concorrência, especialmente no caso das pequenas e médias.

Permitir a implementação de compartilhamento de dados e APIs abertas significa a criação de novos canais de negócios competitivos, produtos inovadores, crescimento da base de clientes e melhoria da experiência do usuário.

Podemos concluir, portanto que, as seguradoras dispostas a adotar novas soluções, permitindo decisões mais rápidas, ganharão uma vantagem definitiva no mercado. Mas isso só vai acontecer no ritmo ideal se incentivarmos as grandes seguradoras a desenvolver e combinar características inovadoras, oferecidas por suas concorrentes startups, que são bem mais abertas ao Open Insurance.

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