11/05/2014
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MJV Team

Prototipagem: o guia definitivo para colocar sua ideia na rua

Prototipar é tangibilizar uma ideia, a passagem do abstrato para o físico de forma a representar a realidade – mesmo que simplificada – e proporcionar validações.

Fases do Design Thinking: Prototipagem

Prototipagem é a arte de transferir ideias do âmbito conceitual para a realidade. É todo e qualquer objeto físico ou virtual que simula uma interação para validar uma ideia.

Atualmente, metodologias como Design Thinking, Lean Startup e Ágil são conhecidas por incentivar uma mentalidade mão na massa e a realização de ciclos de testes frequentes.

Nessa publicação, você vai entender os benefícios de prototipar suas ideias, aprender como fazer isso de forma simples e barata, além de conhecer os tipos de protótipos e os melhores contextos de utilização.

Vamos lá?

A prototipagem é a quarta e última fase do processo de Design Thinking e tem como função validar as ideias geradas na fase anterior, a Ideação. É o momento de unir propostas, refinar conceitos e colocar a mão na massa.

O trabalho na fase de Prototipagem consiste na produção de uma versão inicial reduzida e de baixo custo de um produto, por meio dos chamados protótipos. Seu objetivo é revelar problemas de design, usabilidade ou adequação.

Confira um resumo rápido das fases do Design Thinking:

Imersão: aproximação do problema. Quando a equipe busca mergulhar nas implicações do desafio, estudando tanto o ponto de vista da empresa quanto do usuário final.

Análise: sintetização das informações coletadas para a geração de insights, que serão organizados para a criação de padrões, possibilitando a compreensão do problema em sua essência.

Ideação: brainstorming, quando as ideias são apresentadas, note que sem nenhum julgamento. É o momento de pensar “fora da caixa” efetivamente, propondo soluções para o problema.

Prototipagem: validação das ideias geradas. A hora de aparar as arestas, ver o que se encaixa no projeto, juntar propostas e colocar a mão na massa. Também é um instrumento de aprendizado sob dois aspectos: da ótica da equipe do projeto e do ponto de vista do usuário/cliente.

Apesar de ser apresentada como fase final, a prototipagem pode acontecer em paralelo às outras fases ao longo do projeto. Assim que ideias forem surgindo, elas podem ser testadas, validadas e implementadas antes do fim do projeto.

Leia mais:
Livro: Design Thinking – Inovação em Negócios

O que é prototipagem de ideias?

A prototipagem de ideias é um passo essencial no processo de desenvolvimento de produtos. Para entendê-la, devemos partir do conceito de protótipo.

Um protótipo é uma representação simplificada, física, digital ou encenada, de como seria um produto, serviço, interface e/ou experiência. Pode ser qualquer coisa tangível que nos permita explorar, avaliar e impulsionar uma ideia de negócio. 

Pense em um projeto de desenvolvimento de uma aplicativo. Um protótipo de software é um modelo executável do sistema de software proposto, mas produzido com muito menos esforço, facilmente modificável e extensível. 

Nesse exemplo, o protótipo não precisa ter todos os recursos do sistema finalizado, é apenas um sketch ou um mock-up da solução final. Ainda assim, deve permitir que o usuário teste todos os recursos importantes da implementação real.

Por que é importante prototipar?

Os protótipos auxiliam na redução das incertezas que permeiam o design de uma solução de negócios. Uma solução rápida para abandonar alternativas que não são bem recebidas pelo público-alvo, sem que nenhum investimento pesado seja feito. 

Durante a prototipagem, são criados modelos de teste para verificar se o comportamento dos usuários durante a interação com o protótipo foi o esperado . Assim, é possível medir se o diferencial teórico supre as necessidades dos usuários. 

Dependendo dos resultados da análise de eficiência dessas propostas, o ciclo de testes pode se repetir quantas vezes forem necessárias até que uma solução viável econômica e tecnologicamente seja identificada.

Esses testes podem acontecer em contextos variados, desde ambientes controlados, como num laboratório de usabilidade, até  sessões com usuários finais e potenciais consumidores. 

Para um resultado produtivo, os protótipos devem ter um problema de teste central que não se deve perder de vista. Ao mesmo tempo, deve-se incentivar a equipe a manter uma visão ampla para poder perceber outras lições durante o processo.

Vantagens da cultura de prototipação 

  • Reduz o time-to-market de soluções.
  • Permite que a solução chegue ao mercado validada por potenciais consumidores, reduzindo custos de posteriores ajustes.
  • Incentiva a equipe a tangibilizar conceitos, auxiliando na defesa de uma ideia de negócio para instâncias superiores.

Errar rápido para acertar rápido

A prototipagem tem tudo a ver com velocidade, afinal quanto mais tempo as pessoas gastam construindo um protótipo, mais apegadas à ideia elas tendem a ficar. O problema é que isso dificulta a capacidade de julgar objetivamente seus méritos.

Metodologias como o Lean e o Ágil defendem ciclos de melhorias contínuos e avaliações de feedback constantes, como forma de driblar essa questão e transformar a prototipagem num exercício de agilidade.

Leia também:
Blog post – O que Marie Kondo me ensinou sobre gerenciamento ágil de projetos
Ebook – Lean Model: o que é e porque aplicar na sua empresa 

É nesse ponto que entra a máxima “Errar rápido para acertar rápido”. 

O significado disso é: se sua solução tiver que falhar, que seja rápido e barato, para que  menos tempo e dinheiro sejam investidos em uma ideia superada ou pouco eficiente. 

No Design Thinking, o conceito é especialmente usado para incentivar times de inovação a tirarem suas ideias do papel, usando a prototipagem e a validação para driblar incertezas sobre sua efetividade.

Criando seu protótipo

Como você já viu, a criação dos protótipos físicos é muito útil para tirar ideias do âmbito conceitual e transformar teses em experiências concretas. Há alguns modelos simples e eficazes para isso, que variam com relação à finalidade e à contextualidade.

É importante ressaltar que mesmo os protótipos mais básicos, em termos de fidelidade e contexto, são eficazes na identificação de atritos na usabilidade e oportunidades de melhoria. Por meio deles, é  possível antecipar erros, eliminar funcionalidades pouco aderentes e reduzir o risco de investimento em novas ideias de negócio.

Saiba mais sobre finalidade e contextualidade a seguir.

Variação de finalidade

A finalidade de um protótipo corresponde ao nível de semelhança dele com o produto final. Pode ser dividido em baixa, médio ou alta fidelidade.

Em resumo:

  • Alta fidelidade – no design, um protótipo de alta fidelidade é um mock-up em tamanho ou escala real de um produto ou dispositivo, com o maior grau de semelhança possível com a realidade.
  • Média fidelidade – um protótipo de média fidelidade corresponde à uma representação parcial e um pouco mais específica de uma ideia, em que apenas aspectos estratégicos são representados para otimizar custos e/ou tempo.
  • Baixa fidelidade – representação conceitual da ideia – esboço ou rascunho – para exemplificar aspectos, como tamanho, formato e outras características superficiais.

É importante atentar para a variação de fidelidade. Quanto menos fiel for o protótipo, mais simples e barato será a construção dele. Nesse caso, recomenda-se um modelo de baixa fidelidade, para transpor as ideias para o ambiente físico.

Já os protótipos de alta fidelidade são usados para testar detalhes ou aspectos específicos de design instrucional. São indicados para apresentações para clientes externos ou para vender uma ideia de negócio à mesa diretora da empresa.

Variação de contextualidade

A variação de contextualidade diz sobre o ambiente de testes e os próprios testers. Os testes de protótipo podem envolver ou não usuários finais. Também podem ser realizados em um laboratório ou no ambiente onde o produto ou serviço será utilizado.

As diferentes combinações desses elementos representam os níveis de contextualidade da prototipagem. São eles: parcial, total, geral e restrita. Confira as diferenças:

  • Parcial – usuário final ou ambiente final.
  • Total – usuário final e ambiente final.
  • Geral – qualquer usuário e qualquer ambiente.
  • Restrita – Em ambiente controlado.

Tipos de prototipagem

Papel

Como o próprio nome diz, protótipos de papel são representações de interfaces gráficas com diferentes níveis de fidelidade, seja por meio de wireframes desenhados à mão ou até embalagens com detalhes finais de texto e cores.

Os protótipos de papel são muito utilizados para representar esquematicamente, por exemplo, telas de um aplicativo. Além disso, podem ser usados para:

  • Avaliar o fluxo de informações e a navegação de um sistema.
  • Explorar possibilidades de comunicação de um produto.
  • Tangibilizar o conceito de uma ideia aos usuários, equipe ou superiores.

Um protótipo em papel pode começar de forma simples e ganhar complexidade de acordo com o feedback gerado pelas interações com usuários ou com a equipe de projeto/produto. 

Como o resultado final será em papel, pode ser executado à mão (rascunho) ou com auxílio de um computador, a fim de avaliar detalhes de uma interface, produto ou comunicar serviços.

Modelo de volume

Os modelos de volume são os protótipos com aparência mais próxima ao produto final. Podem apresentar detalhes e texturas – mas ainda não são funcionais. Esses modelos permitem uma visão tridimensional de um conceito e posterior refinamento.

A concepção de um modelo de volume varia de acordo com o nível de fidelidade, como qualquer outro, mas é possível construir um protótipo de volume de fidelidade relativamente alta com materiais simples.

Atualmente, com o advento das impressoras 3D, ficou mais fácil construir bons protótipos com matéria-prima mais elaborada para simular o acabamento do produto que será fabricado.

Encenação

A encenação é uma simulação improvisada para representar possíveis ações de usuários com um produto, serviço ou interface. Pode ser feita por meio da interação de uma pessoa com uma máquina ou por diálogos que encenem a jornada do usuário.

É largamente utilizada quando desejamos exemplificar uma situação de uso de um produto, medir se experiência do usuário é fluida ou até testar suas reações durante a interação.

A ferramenta ajuda a identificar pontos de atritos e lacunas durante o processo – e então repensar esses aspectos. Também é bastante comum a utilização de protótipos em papel e/ou modelos de volume para deixar a cena mais parecida com a realidade.

Para participar da encenação, é necessário pelo menos 2 pessoas. É atribuído um papel,  a cada um dos “atores”, que pode ser de um atendente ou de um cliente insatisfeito.

Não há muitas restrições para a cena, que também pode ser feita em grupo. Recomenda-se apenas que os participantes possam agir da forma mais natural possível.

Outros tipos de prototipagem

Há alguns tipos de abordagens de prototipagem usadas em contextos mais específicos, por exemplo, ambientes digitais ou processos. Entre eles, destacam-se:

Protótipo de serviços

É a simulação de artefatos materiais, ambientes ou relações interpessoais, que representem um ou mais aspectos de um serviço. 

O objetivo é que o usuário simule a funcionalidade da solução proposta. Ideal para validar, por exemplo, a predisposição dos usuários em clicar nos botões de uma landing page.

Storyboard

O storyboard é uma representação visual de uma história através de quadros estáticos, geralmente compostos por desenhos, colagens ou fotografias. 

Seu objetivo é facilitar a visualização através do encadeamento de acontecimentos de um processo.

Esse tipo de protótipo é muito usado no audiovisual e se parece com uma história em quadrinhos. É indicado em casos de  eventos acontecendo em ordem cronológica, como um passo a passo.

Design Thinking + Ágil: implementando as ideias

Você deve estar se perguntando como promover uma prototipagem rápida do fluxo de ideias e acelerar a finalização do produto. 

Uma das respostas é a união do Design Thinking com o método Ágil.

O Desenvolvimento Ágil nada mais é do que uma metodologia para promover eficiência ao  processo criativo. Ele proporciona flexibilidade e aplica um nível de pragmatismo para a entrega do produto acabado. 

O objetivo é construir em cima de pequenas peças aprovadas pelo cliente no decorrer do projeto ao invés de entregar uma aplicação grande no final. 

Em suma, a ideia geral é maximizar a criação de valor, diminuindo a ênfase na especificação para garantir agilidade e frequência nas entregas.

Veja também:

Ebook: Design Thinking e Ágil no contexto da Transformação Digital

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