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08/17/2020
Por
MJV Team

Os próximos desafios da área de Logística e Supply Chain: o que a pós-pandemia desenha

O desafio do presente é construir o novo. Pode parecer romântico, mas é a mais pura verdade. E, acredite, isso já aconteceu em outros momentos da história.

O desconhecido e a vulnerabilidade são bem desconfortáveis. Por isso, momentos de transição, por vezes, são vistos como crises, deixando passar o potencial inovativo que carregam em si. 

Para entender um pouco mais do que acontece (e pode acontecer) com a área de Logística e Supply Chain, vamos compartilhar alguns insights da nossa equipe de Design de Futuros e Inovação Antecipatória.

Próximo desafio: Logística e Supply Chain 

O grande questionamento das áreas de logística e supply chain é o fato de ser muito mais barato para o mercado voltar para o modelo que estávamos antes: 30% do mundo produzia tudo na China para baratear o custo de operação. 

Mas será que só um sim ou não para essa questão não é simplista demais? A resposta é sim. 

Esse modelo que conhecemos é altamente dependente da globalização. Qualquer motivo que faça essa globalização parar – como uma pandemia – para o mundo também. Só que, nesse caso, ninguém pode descer. 

Essa paralisação vai além da questão da economia local. Hoje, há a interrupção, quase que completa, da produção de bens e de recursos para produzir esses bens. Pelo menos nos moldes que estamos acostumados a ver: em larga escala e na China.  

O que há na incerteza?

Compartilhamos as polaridades que identificamos na incerteza de como fica a logística e o supply chain nesse contexto de pandemia e também na pós-pandemia. Vamos lá! 

POLARIDADE A

  • Como garantir a higienização, saúde e a não contaminação dos bens em termos de envio de logística?
  • Voltar para o modelo globalizado chinês – o mais barato até agora – que nos levou a uma série de problemas -, excesso de poluição, cidades supersaturadas, ineficiência no descarte de lixo, exploração de recursos -, é um futuro sustentável?  Vale ressaltar que, antes mesmo do COVID-19, já era habitual encontrar pessoas usando máscaras nas ruas chinesas, a cidade já estava irrespirável. 

POLARIDADE B

  • A sociedade ficar com medo desse modelo de produção centralizado na China e buscar formas de trazer as indústrias para mais perto de casa, ou mesmo a busca por novos fornecedores locais de suprimentos e recursos. 

O custo de trazer a produção para a casa será elevado, pois a infraestrutura ainda não está pronta e a sociedade está preocupada de passar por essa paralisação novamente. Porém, mesmo sendo caro, possibilitará a criação de novos empregos, ajudando a aquecer a economia no pós pandemia. 

  • Para complementar a escolha do futuro que você quer construir, vamos trazer algumas tendência bem relevantes quando a tarefa é repensar e ressignificar a forma mais sustentável para as operações de logística e supply chain. 

Pontos de atenção: o que é importante anotar no caderninho 

Economia Circular

Antes de começar a falar sobre essa economia mais consciente, vamos deixar algo bem claro: a economia circular não é contra o capitalismo nem advoga contra o lucro.  Muito pelo contrário, há uma infinidade de oportunidades de negócio invisibilizadas pela lógica linear, que pensa apenas em core business – essa que nos trouxe até aqui. 

A força motriz dessa estrutura está na capacidade de gerar impacto positivo na sociedade e no meio ambiente, enquanto negócios se desenvolvem e lucram. Bem resumidamente, a economia circular vai olhar para a forma que produzimos, consumimos e descartamos. Mas não pense que é somente isso, o que nós temos aqui é um mindset, uma nova Revolução Industrial. 

Meio ambiente 

Em média, os bens físicos que são consumidos têm apenas 5% da matéria prima utilizada para que eles fossem produzidos. Sim, é necessário 20 vezes mais insumo para que produtos estejam prontos para as prateleiras. É bem óbvio o que vamos falar aqui, mas é necessário: os recursos são finitos, e a sociedade está sentindo isso na pele. 

Para escoar a produção do mundo, os sistemas de transportes aéreos, marítimos e terrestres são sobrecarregados, gerando cada vez mais poluentes.

Sem contar na luta para uma sociedade livre da escravidão do plástico – mais da metade das embalagens de todos os produtos do mundo são feitas do material. Estima-se que até 2050, haverá mais plástico do que peixes nos oceanos. 

Novos modelos de negócio 

A nova economia já está aí! Entender essa mudança é prioridade. Alguns spoilers do que deve ser repensado: 

  • A tecnologia é o epicentro. É ela que pode promover as disrupções necessárias para negócios assumirem a dianteira do seu mercado e até mesmos criarem novos mercados para liderarem. 
  • Caminhamos para o fim das concorrências feudais. Grande parte disso graças ao GAFA (Google, Amazon, Facebook e Apple), os 4 gigantes que ditam as regras do mercado quando o assunto é tecnologia de ponta e mimam seus usuários com experiências encantadoras. 

Não há como escapar da migração para essa nova lógica:

  • Mais ecossistema e menos empresa
  • Mais abundância e menos escassez
  • Mais horizontal e menos vertical

A cultura ganha bastante protagonismo também. É ela que faz a transformação acontecer. Afinal, ela carrega o jeito da empresa fazer, quando ninguém está na sala olhando. Sim, isso é DNA; cultura só no papel não muda nada. 

Vale pensar em uma régua de transformação que nós leva da economia clássica à pós-digital.

  • Economia Clássica: modelo piramidal. Ampla alta cúpula. Gestão mais centralizada – top down.  Mais linear e industrial. Muitas já são digitalizadas, o que não quer dizer que rodam no mindset digital. 
  • Economia Digital: pequenas, enxutas, leves e inovadoras. Como são menores, contam com lideranças mais descentralizadas, o que proporciona muita eficiência. Automação e inteligência artificial alicerçam a gestão. A era das startups mudou bastante a cara das empresas e esse tipo de modelo de negócio não é nenhuma novidade. 
  • Economia Pós-digital: esse é o ponto de chegada da jornada de transformação de modelos de negócios, por enquanto. Aqui, temos empresas virtuais. Sim, elas existem se tem gente trabalhando; mas se não tem, não existem. Seu ciclo de vida também é diferente do que conhecemos: a alta cúpula investe durante um tempo e depois deixa o legado para a sociedade. Não há gestão, tudo é feito a partir de  tecnologias emergentes, como blockchain. 

Indústria 4.0 

A Quarta Revolução Industrial é o fenômeno da adoção de ferramentas, recursos e serviços tecnológicos inovadores para otimizar a gestão dos mais variados aspectos industriais. 

Isso inclui desde o design até a automação de processos de manufatura, passando pela cadeia de fornecimento, entre outros aspectos do cotidiano operacional e administrativo.

Especialistas apontam quatro grandes forças que impulsionam o movimento:

  1. Crescimento surpreendente do volume de dados (Big Data)
  2. Surgimento de ferramentas, recursos e métodos para análise de dados
  3. As inovadoras possibilidades de interação homem-máquina
  4. Aprimoramentos da transferência de instruções digitais para o mundo físico

Perceba que não se trata simplesmente de implementar ferramentas para automatizar os processos de negócios. É algo muito mais profundo e superior à simples automatização. 

Propósito 

A era da experiência do usuário ganha mais relevância ainda em tempos de transição. O consumidor segue mais consciente do que nunca. 

A busca por vínculos cada vez mais alinhados com valores mais sensíveis abre precedentes para questionamentos, como “o que as empresas fazem de relevante para o mundo?”.

Surge a necessidade de ultrapassar as barreiras da própria organização e se comprometer com uma missão que impacte o mundo de forma positiva. 

Novo Consumidor

Há um tempo, os consumidores exigem mais das marcas em troca do seu coração (e do seu dinheiro, claro!). Produtos e serviços sozinhos não são suficientes para desenvolver um negócio lucrativo e sustentável durante muito tempo.

Cada vez mais, os clientes tendem a rejeitar o genérico, os produtos massificados, têm consciência do impacto negativo que o consumo exacerbado causa no mundo e já buscam consumir dos pequenos produtores que estão no seu entorno. 

O motivo disso já falamos aqui. Ele mora exatamente em quatro letras: GAFA. O modelo nada mais é do que o efeito causado na sociedade pelo grupo Google, Amazon, Facebook e Apple. Os quatro gigantes da tecnologia acostumaram seus usuários a terem qualquer coisa na palma da mão: com apenas um clique na tela de um smartphone. 

Soluções para o futuro da Logística e Supply Chain 

O momento pede um novo olhar para o futuro — preferencialmente de forma otimista. Pensar nele e em como podemos construir futuros bem mais desejáveis e alinhados com com valores mais sensíveis que passam a fazer, cada vez mais, parte da nossa vida. 

Se você quiser cocriar futuros para sua área de logística e supply chain, listamos alguns passos que podem te ajudar muito.

Construir conhecimento

Qualquer que seja a sua escolha, é preciso mergulhar fundo e entender a mudança que sua empresa terá que fazer para operar nesse novo modelo. Identifique quais tecnologias podem potencializar seus processos e fortaleça ou até crie a cultura do seu negócio. 

A tecnologia é o epicentro. É ela que pode promover as disrupções necessárias para negócios assumirem a dianteira do seu mercado e até mesmos criarem novos mercados para liderarem.  

Ecossistema de fornecedores é algo vital para o core business de produção. Hoje, a maioria deles estão na China. Mas trazer toda a sua produção, ou parte dela, para perto de você vai demandar uma carteira nova de fornecedores. 

A Inovação Aberta é um método de colaboração externa que pode ajudar bastante com essa tarefa. 

  • Permite que indústrias e empresas promovam ideias, pesquisas e processos abertos para desenvolver soluções inovadoras  
  • Promovem acesso a mercados e públicos onde os parceiros têm mais aderência e a empresa tem participação limitada
  • Possibilitam novas oportunidades comerciais através de atividades de P&D não exploradas internamente por falta de know-how até chegarem à redução do tempo e custo de produtos e serviços

Dados 

Fábricas direcionadas por dados, essa é a Indústria 4.0. 

O caminho é:

  • Investir em tecnologia para aumentar produtividade
  • Reduzir custos de manutenção de equipamentos e consumo de energia

Você deve estar se perguntando o que justifica esse investimento todo? O aumento da eficiência do trabalho

A Internet das Coisas se torna fundamental para garantir a habilidade dos sistemas ciber-físicos (suporte de peças, estações de montagem e produtos), das pessoas e das fábricas inteligentes se comunicarem entre si. 

Ela possibilita, com todos os dados coletados, a melhoria dos processos e tomadas de decisão em momentos-chave, como esse que vivemos agora.

Governança de Dados 

 A Governança de Dados é o exercício de autoridade e controle (planejamento, monitoramento e fiscalização) sobre o gerenciamento de ativos de dados.

A falta de governança efetiva de dados dentro de uma empresa garante uma coisa: a existência de dados ruins, que criam uma base de informações cheia de insights equivocados. Esses dados se manifestam em definições inconsistentes, duplicatas, campos ausentes etc. 

Quando chegará o novo?

Zygmunt Bauman chama esse trânsito que vivemos de tempos de interregno. Estamos entre o que não é mais e o que não é ainda. O modelo velho já não nos serve mais e o novo ainda não está pronto. 

Mas fique tranquilo! Acreditamos que muitas coisas vão mudar para melhor dentro desse cenário caos e colapso. Para isso, são necessárias disciplina e resiliência para sustentar essas transições até que estejamos totalmente adaptados. 

Sabemos que construir esse novo normal é um desafio muito grande. Pode ser que não seja fácil, mas é possível. Para isso, nós da MJV temos feito um grande exercício de pensar em como podemos aprender e fazer juntos essas transformações. Estamos debruçados em um projeto muito extenso que chama-se Pós-Normal.

Dessa forma, estamos trazendo todas as implicações do que significa o Covid-19 em diversas áreas para tentarmos entender quais são as novas formas de organização que podem surgir a partir da sua disseminação. 

Aproveitamos para deixar aqui um convite. Vamos construir juntos o novo normal? Antes que construam para nós. 

Acesse a pesquisa Novo-Normal em Construção
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