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Como acelerar a modernização de sistemas legados com IA?

Entenda como acelerar a modernização de sistemas com IA. Neste conteúdo apresentamos possibilidades com RPA e IA Agêntica. Acesse e confira!


Dado o avanço da inteligência artificial em diversos setores da economia, a modernização de sistemas legados passou a ser uma questão de resiliência comercial e sobrevivência estratégica.

No Brasil, o setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) já representa 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. 

Com uma produção setorial que atingiu R$ 762,4 bilhões em 2024, o país consolidou sua posição como a 10ª maior potência global em investimentos de TI, liderando o mercado latino-americano com 37,2% dos investimentos regionais.

Estima-se que o investimento total em tecnologias de transformação digital no Brasil alcance R$ 774 bilhões entre 2025 e 2028, com a IA recebendo sozinha um aporte projetado de R$ 145,9 bilhões.

Historicamente, sistemas legados foram percebidos como o “núcleo estável” das empresas. No entanto, com o passar dos anos, o preço dessa estabilidade aumentou. 

Organizações que mantêm sistemas desatualizados enfrentam custos que muitas vezes são inesperados. Estima-se que CIOs gastem entre 10% e 20% de seus orçamentos totais apenas para manter aplicações legadas operando. 

Neste artigo abordaremos 2 estratégias de modernização de sistemas legados com o uso da IA, de maneira que elas equilibrem a necessidade de agilidade e a preservação da lógica do negócio.

Por que a modernização de sistemas legados é importantíssimo para o momento atual?

Antes de explorarmos as tecnologias, é preciso entender o risco de manter o status quo. O problema dos sistemas legados no Brasil é alimentada por três fatores críticos:

  1. O Gap de talentos e a aposentadoria de especialistas: Mais de 50% dos profissionais que dominam sistemas como Mainframes e linguagens como COBOL ou RPG estão se aproximando da idade de aposentadoria. A força de trabalho jovem foca em tecnologias modernas, criando um vácuo de conhecimento que torna a manutenção manual insustentável e perigosa para a continuidade do negócio.
  2. Vulnerabilidades de segurança: Pesquisas indicam que 91% das bases de código auditadas possuem componentes de código aberto com mais de quatro anos de defasagem. Sistemas legados não foram projetados para os protocolos modernos de cibersegurança, tornando-se portas abertas para ataques complexos.
  3. Inibição da inovação: O custo de manutenção acaba consumindo a verba que deveria ser investida em novos produtos. Segundo a IBM, a modernização de aplicações suportada por IA e automação pode reduzir os custos de manutenção e operação em até 50%.

Estratégias de modernização de sistemas legados: RPA vs. Automação Agêntica

A decisão técnica sobre como modernizar depende da acessibilidade ao código e da estruturação dos dados. A transição atual marca a evolução de modelos de automação rígidos para sistemas agênticos autônomos.

RPA com IA

O Robotic Process Automation (RPA) atua na camada de interface do usuário (UI), replicando ações humanas em sistemas que muitas vezes não possuem APIs modernas.

  • Evolução cognitiva: Quando potencializado pela IA, o RPA deixa de ser um executor de regras fixas para lidar com dados semi estruturados via OCR e machine learning. No Brasil, cerca de 67% dos bancos já utilizam RPA como parte central de sua estratégia.
  • Aplicabilidade e impacto: É a solução ideal para sistemas onde a modificação do código-fonte é excessivamente arriscada. O impacto financeiro é imediato: casos de uso demonstram redução de 50% no tempo de processamento e até 80% de redução em erros operacionais.
  • Limitação estratégica: Embora estenda a vida útil do legado e traga eficiência rápida, o RPA não resolve o débito técnico estrutural. Ele é uma “ponte”, não a reconstrução da fundação.

Leia também: Entenda como a automação de processos impulsiona a eficiência dos negócios

Automação agêntica

A IA Agêntica (Agentic AI) representa o salto qualitativo da modernização. Diferente do RPA, ela opera na camada de lógica (Logic Layer) através de modelos de linguagem que “compreendem” o software.

  • Raciocínio sobre o código: Agentes de IA podem identificar dependências complexas, extrair regras de negócio “enterradas” em milhões de linhas de código antigo e sugerir refatorações para micro serviços em nuvem.
  • Velocidade disruptiva: O diferencial de escala é massivo. Projetos de migração de COBOL para Java utilizando arquiteturas agênticas demonstraram a capacidade de converter 53.000 linhas de código em apenas 1,5 hora, um feito que levaria meses em um processo manual conduzido por humanos.
  • Foco em autonomia: Enquanto o RPA requer fluxos pré-definidos, o agente autônomo toma decisões probabilísticas e resolve problemas de migração de ponta a ponta, agindo como um “parceiro de engenharia” de alta performance.

Leia também: O que são agentes de Inteligência Artificial?

O Impacto da IA em setores estratégicos no Brasil

A aplicação dessas tecnologias varia conforme as necessidades regulatórias e técnicas de cada vertical de mercado.

Setor Bancário

O setor bancário brasileiro é o maior investidor privado em tecnologia no país, com um orçamento aproximado R$ 47,4 bilhões em 2024.

A pesquisa Febraban de tecnologia bancária  revelou que 96% dos bancos já possuem tecnologias de IA incorporadas.

  • Modernização do back-end: 36% das instituições já utilizam IA especificamente para o desenvolvimento de código e aceleração da modernização agêntica. O foco é a documentação e substituição segura de núcleos em COBOL que sustentam transações críticas de Pix e Open Finance.
  • Eficiência em segurança: A IA generativa e preditiva é utilizada por 73% dos bancos para detecção de fraude e lavagem de dinheiro, reduzindo falsos-positivos e garantindo a resiliência operacional.

Setor de seguros

Com um investimento aproximado  de R$ 19,6 bilhões em 2024, 80% das seguradoras brasileiras já implantaram IA de acordo com a CNseg. No entanto, o desafio é claro: para 69% das empresas do setor, a integração com sistemas legados permanece como o maior obstáculo para a inovação.

  • Foco em produtividade: 100% dos executivos de seguros citam o aumento de produtividade como o principal motor da IA. A modernização foca em integrar bases de dados legadas a fluxos de trabalho digitais para acelerar a revisão de sinistros e análise de risco.
  • Experiência do cliente: 81% buscam melhorar a jornada do segurado através da modernização cognitiva, integrando bases de dados de décadas a interfaces modernas.

Leia também: Veja como a MJV levou a IA para o atendimento de uma seguradora brasileira

Setor de telecomunicações

As operadoras investiram R$ 34,6 bilhões em 2024 de acordo com a Conexis Brasil Digital, funcionando como a espinha dorsal da conectividade necessária para a IA em outras indústrias.

  • Otimização de redes e dados: Com data lakes massivos, as empresas de telecom utilizam IA preditiva para gerenciar o tráfego de 5G (que já conta com 48,9 milhões de acessos no país) e reduzir o tempo de ativação de serviços complexos.
  • Ganhos de receita: 84% das operadoras globais relatam crescimento na receita com a adoção da tecnologia, demonstrando que a modernização do faturamento e provisionamento impacta diretamente a última linha do balanço.

Leia também: Veja como a MJV ajudou uma empresa de Telecom a reduzir o tempo de ativação de chips através da IA

Pilares fundamentais da modernização: Governança, dados e pessoas

A eficácia da modernização de sistemas legados com IA (seja através de RPA ou de IA  agêntica) depende de uma fundação sólida e organizada, especialmente no contexto brasileiro.

Governança de dados e soberania digital

Em setores altamente regulados, a conformidade com a LGPD é inegociável. A estratégia de Soberania Digital ganha força: o uso de modelos de IA privados que processam informações dentro do ambiente seguro da organização reduz a dependência de fornecedores globais e mitiga riscos de vazamento.

O cenário regulatório também evolui com o Projeto de Lei 2338, que propõe a criação de um Sistema Nacional de Regulação de IA coordenado pela ANPD. Empresas que modernizam seus legados hoje já devem nascer sob os princípios de “privacy by design“.

O valor dos dados proprietários

De acordo com um estudo da IBM, para 72% dos CEOs brasileiros, os dados proprietários são o “ouro” que desbloqueia o valor da IA generativa. 

A modernização agêntica exige uma estratégia de Data as a Service (DaaS), onde a própria IA é utilizada para higienizar e catalogar dados legados de décadas antes da migração definitiva para a nuvem.

Human in the loop e Upskilling

A modernização tecnológica falha sem a modernização cultural. O mercado brasileiro pode enfrentar uma demanda de 665 mil profissionais até o final de 2025. 

O foco deve ser o upskilling das equipes internas: transformar desenvolvedores de linguagens antigas em orquestradores de agentes de IA. 59% dos executivos já estão preparando seus funcionários para essa mudança de paradigma.

Perguntas Frequentes 

Qual a principal diferença técnica entre RPA e IA Agêntica? 

O RPA automatiza tarefas em nível de superfície (UI), replicando ações humanas repetitivas. 

A IA Agêntica atua na camada de lógica, sendo capaz de “entender” a arquitetura do software, extrair regras de negócio e realizar refatorações autônomas no código-fonte.

É possível modernizar sistemas COBOL sem risco de interrupção? 

Sim. A abordagem recomendada utiliza a IA para documentar exaustivamente as regras de negócio em velocidades recordes (como a conversão de 53k linhas em 1,5h) e criar APIs de integração que permitem a migração modular, mantendo a continuidade operacional.

Como garantir a conformidade com a LGPD usando IA? 

Através da implementação de modelos de linguagem privados e locais, garantindo que nenhum dado sensível saia da infraestrutura da empresa. 

Além disso, a IA pode automatizar a anonimização de dados em bases de teste e migração.

Conclusão

A modernização de sistemas legados deixou de ser um “mal necessário” para se tornar a base da economia digital brasileira. 

Com investimentos projetados de R$ 145,9 bilhões em IA até 2028, as organizações que superarem a automação rígida em prol de sistemas mais inteligentes liderarão o mercado.

Os ganhos em produtividade são relatados por 96% das empresas que adotaram a tecnologia, com um aumento médio de receita de 31%. 

A aceleração via IA permite que o Brasil atinja um potencial de crescimento anual do PIB de até 7,1% até 2030 através da quadruplicação da produtividade.

Para que essa evolução seja sustentável, a modernização deve ser orientada por dados. Na MJV, unimos tecnologia de ponta e estratégia de negócios para converter sistemas antigos em plataformas de alta performance.

Sua jornada rumo à eficiência começa pelos dados.

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