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O que é modernização de TI?

Descubra como a atualização de infraestruturas engessadas e a eliminação do débito técnico estão moldando o futuro das grandes empresas no Brasil. Conheça as principais estratégias de migração para transformar seu legado em um motor de inovação escalável


No atual ecossistema de negócios, as empresas enfrentam uma pressão constante por agilidade e eficiência. 

No mercado brasileiro, onde as complexidades operacionais, fiscais e de conectividade são realidades históricas, manter uma infraestrutura engessada é um risco crítico. 

A modernização tecnológica deixou de ser um diferencial competitivo para se tornar uma condição essencial de sobrevivência comercial.

Mas como dar esse salto sem comprometer a continuidade das operações? Neste artigo, vamos destrinchar os pilares da modernização de TI, os desafios dos sistemas legados e as estratégias práticas para preparar sua empresa para o futuro.

Afinal, o que é modernização de TI?

Para compreender o fenômeno de forma abrangente, é fundamental diferenciar a modernização de TI do conceito amplo de transformação digital. 

Enquanto a transformação digital representa uma mudança cultural profunda orientada para o consumidor, a modernização foca especificamente na base técnica habilitadora. Ela envolve a revitalização e a atualização estratégica de infraestruturas, sistemas legados, aplicações e governança de dados existentes.

Sem uma infraestrutura modernizada, qualquer iniciativa de transformação digital torna-se limitada, pouco escalável e vulnerável a incidentes de segurança. 

O adiamento dessa reestruturação carrega riscos competitivos severos. Há estimativas de que até 2027, cerca de 50% das 5.000 maiores organizações da América Latina apresentarão um crescimento econômico mais lento em virtude da fragmentação de dados em silos corporativos. 

No Brasil, embora 96% das PMEs tenham percebido uma dependência severa de recursos tecnológicos, 51% delas ainda se situam em estágios iniciais de adoção.

Por que o mercado brasileiro precisa modernizar agora?

O mercado brasileiro de tecnologia vive um momento de amadurecimento acelerado, caracterizado por aportes financeiros robustos e uma mudança estrutural na priorização de recursos corporativos. 

De acordo com a Pesquisa Anual de Uso de TI realizada pela FGV, os gastos e investimentos em tecnologia atingiram a marca histórica de 10% da receita das empresas no país

Para fins de perspectiva histórica, esse indicador situava-se em 1,3% em 1988, avançou para 8,2% no período de 2020/21 e alcançou 9,4% em 2023, evidenciando que a TI passou a ocupar o centro estratégico das corporações.

Esse avanço na maturidade é acompanhado pelo Custo Anual de TI por Usuário (CAPU), que atingiu a média de R$ 48.000, refletindo a sofisticação das ferramentas. 

O país já registra mais de 502 milhões de dispositivos digitais ativos, incluindo 230 milhões de computadores e 272 milhões de smartphones. Essa digitalização acelerada é ilustrada pelo PIX e pela expansão do Mobile Banking, que vem dobrando de tamanho desde 2009 e já responde por 78% de todas as transações bancárias no país.

Para sustentar essa demanda gigantesca, as projeções da Brasscom indicam que o Brasil deve investir até R$ 2 trilhões em tecnologias digitais entre 2026 e 2029

Esse montante representa um salto extraordinário de 158% em relação às projeções do relatório anterior (que estimava R$ 774 bilhões), provando que o mercado deixou de investir em projetos pilotos isolados e passou a focar na infraestrutura pesada. Caso essa adoção tecnológica se intensifique de forma ampla, o PIB brasileiro poderá registrar um acréscimo de até US$ 9 bilhões.

A distribuição desses investimentos previstos pela Brasscom ilustra com precisão as prioridades da modernização de TI no Brasil:

  • Computação em Nuvem (Cloud Computing): R$ 765,6 bilhões projetados, com uma taxa de crescimento anual média (CAGR) de 21%.
  • Inteligência Artificial (IA): R$ 736,6 bilhões e CAGR de 20%.
  • Mobilidade, Dados e Banda Larga: R$ 646,1 bilhões corporativos e CAGR de 1%.
  • Data Centers (Equipamentos e Infraestrutura): R$ 252,4 bilhões, prevendo um crescimento de 2,5 vezes em capacidade física.
  • Internet das Coisas (IoT): R$ 63,6 bilhões e CAGR de 16%.

Esse crescimento expressivo impulsionou o macrossetor de TIC no Brasil a movimentar R$ 919,7 bilhões em 2025, o equivalente a 7,2% do PIB nacional, consolidando o retorno do país ao grupo dos dez maiores investidores em tecnologia no mundo. 

Leia também: Entenda a Arquitetura de TI como estratégia empresarial

Os três pilares tecnológicos da TI moderna

A fundação de uma infraestrutura robusta exige pilares bem consolidados para garantir agilidade operacional, escalabilidade e mitigação de riscos. Vamos analisar em detalhes as três bases fundamentais desse processo.

Nuvem híbrida e multicloud como motores de agilidade

A migração de sistemas locais monolíticos para ambientes baseados em nuvem constitui o passo fundamental de qualquer jornada de modernização. No contexto corporativo nacional, a nuvem deixou de ser encarada apenas como um repositório econômico para backup e passou a funcionar como o motor que viabiliza a agilidade nos negócios. 

Somente o mercado de nuvem pública movimentou R$ 85 bilhões no país, registrando uma expansão anual de 35,5%. A adoção de processamento em nuvem atingiu 33% das organizações nacionais, avançando 10 pontos percentuais em comparação a 2019.

Segundo indicadores do índice INEXTI, a nota geral de maturidade das empresas de médio e grande porte subiu para 52,1 pontos em 2023. Embora o modelo de Data Center próprio (on-premises) permaneça presente em 85% das corporações, o avanço da nuvem privada (que saltou de 31% para 46%) e da nuvem pública (de 27% para 45%) evidencia a evolução dos ambientes híbridos. 

Hoje, 33% das grandes companhias já integram ativamente múltiplos provedores para garantir flexibilidade, conformidade e soberania de dados.

No entanto, essa transição impõe desafios complexos. 

O índice INEXTI aponta que a conectividade com a nuvem figura como o principal obstáculo operacional para 39% das empresas brasileiras, seguida pela dificuldade de prever custos recorrentes e barreiras de resistência cultural interna.

Leia também: Quais as vantagens para empresas brasileiras em migrar para a nuvem AWS?

O impacto (e as barreiras) da Inteligência Artificial

A Inteligência Artificial atua simultaneamente como o principal motor de aceleração e o maior desafio de infraestrutura para os departamentos de TI. 

A pesquisa TIC Empresas revela que a adoção de IA no ecossistema corporativo brasileiro registrou um crescimento sólido, passando de 13% para 17% das empresas, o que representa um universo estimado de 93.475 organizações usuárias. 

Nas grandes corporações com mais de 250 funcionários, o índice de adoção saltou de 38% para expressivos 50%.

A automatização de fluxos de trabalho continua sendo a principal finalidade de uso (68%), mas a maior taxa de crescimento está associada à Geração de Linguagem Natural (IA Generativa), que saltou de 20% para 30% em apenas um ano. 

Para suportar essa expansão projetada, a infraestrutura nacional de data centers precisa crescer 2,5 vezes até 2030, saltando de 1.063 MW para 2.629 MW, o que exigirá aportes contínuos de aproximadamente R$ 399,3 bilhões em hardware e instalações físicas.

Contudo, entre as principais restrições técnicas estão a escassez crônica de desenvolvedores qualificados, os custos operacionais de processamento e o desempenho inadequado das infraestruturas legadas. 

Projeta-se que até 30% das organizações brasileiras reconsiderem ou reduzam seus investimentos em IA Generativa caso as soluções implementadas não apresentem um alinhamento direto de retorno com as metas comerciais.

Leia também: Como acelerar a modernização de sistemas legados com IA?

Cultura DevOps, APIs e microsserviços

A modernização técnica de sistemas e a migração para a nuvem exigem uma reestruturação profunda nas metodologias de engenharia de software e na cultura das equipes. 

A metodologia DevOps atua como o catalisador cultural desse processo, integrando desenvolvimento e operações para unificar silos históricos. 

Através de pipelines automatizados de Integração Contínua (CI) e Entrega Contínua (CD), testes automatizados contínuos e ferramentas de infraestrutura como código, as organizações realizam entregas de valor com velocidade e segurança em tempo real.

Em paralelo, a arquitetura de microsserviços fragmenta os antigos monólitos em pequenos serviços independentes e especializados que se comunicam através de APIs estáveis. Esse desacoplamento confere às empresas a agilidade necessária para atualizar ou escalar componentes específicos de forma isolada, eliminando riscos de instabilidade generalizada. 

Grandes corporações brasileiras têm colhido resultados expressivos com essa abordagem: de empresas de cosméticos e redes de hospitais utilizaram  métodos ágeis para modernizar sua governança de TI e implementaram a cultura DevOps para sustentar sua crescente demanda sem gerar custos desproporcionais de expansão de hardware.

Leia também: Entenda o que é e qual a importância do DevSecOps

O desafio dos sistemas legados e do COBOL

Um dos maiores dilemas enfrentados pelos gestores de tecnologia no Brasil é a coexistência de aplicações de ponta com núcleos transacionais operando em plataformas legadas obsoletas, desenvolvidas em linguagens antigas como o COBOL. 

Esses sistemas antigos continuam sendo a espinha dorsal de operações altamente críticas em instituições bancárias, seguradoras e órgãos governamentais, processando transações vitais diariamente.

A persistência dessas plataformas acarreta desafios graves, estruturados em três frentes principais:

  • Escassez de talentos especializados: A maioria dos programadores experientes em COBOL está se aposentando, e a atratividade da linguagem para novos profissionais é baixa, gerando custos de manutenção elevados.
  • Silos e limitações de integração: Sistemas monolíticos operam de forma isolada e não possuem conectividade nativa com APIs RESTful, nuvem ou ferramentas analíticas avançadas.
  • Custos operacionais desproporcionais: Manter mainframes antigos exige altos custos de licenciamento e suporte físico, tornando qualquer alteração de código ou adição de novas funções lenta, cara e arriscada.

Essa inércia tecnológica gera o chamado débito técnico, um passivo financeiro e operacional silencioso. 

Estimativas apontam que os débitos técnicos associados a sistemas legados podem representar mais de 40% de todo o orçamento de desenvolvimento de TI das organizações. 

Em termos práticos, quase metade do capital que deveria ser direcionado à inovação de novos produtos e serviços é drenada para a mera sustentação de sistemas ineficientes.

Como funciona a modernização na prática?

Para lidar com o legado, as organizações precisam mapear e priorizar seus sistemas utilizando matrizes de avaliação baseadas em saúde técnica (grau de obsolescência) e valor de negócio. A partir desse diagnóstico, aplicam-se estratégias específicas de migração corporativa:

  • Rehosting (Lift and Shift): Baixo custo e risco técnico inicial; realiza uma migração rápida para a nuvem, mas não elimina a dependência da linguagem legada nem resolve gargalos arquiteturais.
  • Replatforming: Risco e custo moderados; exige ajustes mínimos no sistema para usufruir de recursos de performance específicos de nuvem.
  • Refactoring: Risco e custo moderados; otimiza o código sem alterar suas funções externas, facilitando futuras manutenções.
  • Rearchitecting: Risco e custo elevados; realiza a decomposição do monólito em microsserviços modernos e altamente escaláveis.
  • Rebuilding: Risco muito alto e cronograma extenso; elimina totalmente o débito técnico ao reconstruir a aplicação do zero com tecnologias de última geração.
  • Replacing: Risco moderado e alto custo de licenciamento; garante acesso imediato a soluções prontas de mercado, mas traz desafios de customização e riscos de lock-in.

O Padrão Strangler Fig: Evitando o risco do “Big Bang”

No mercado brasileiro, para evitar os riscos catastróficos associados à abordagem de substituição integral de uma só vez (Big Bang), tem se destacado a adoção do padrão Strangler Fig

Essa abordagem de modernização incremental consiste em encapsular o sistema legado antigo por meio de uma camada de interceptação (proxy ou gateway de APIs).

A partir dessa camada, as novas funcionalidades passam a ser desenvolvidas como microsserviços modernos na nuvem, e as funções antigas são reescritas e migradas gradualmente. 

À medida que os novos serviços assumem o tráfego de dados, o sistema legado é progressivamente “estrangulado” até que possa ser completamente desativado de forma segura, mantendo a continuidade operacional e assegurando a conformidade com a LGPD durante todo o processo.

Diretrizes estratégicas: Como liderar essa jornada na sua empresa

A modernização de TI no Brasil consolidou-se como um processo contínuo e altamente estratégico, que transcende a simples aquisição de novas ferramentas. O sucesso da jornada exige o alinhamento estrito entre a governança de infraestrutura, a gestão de dados e os objetivos de negócios.

Com base no panorama do mercado nacional, recomendam-se quatro diretrizes estratégicas para guiar as decisões de liderança:

  1. Mapeamento e gestão ativa do débito técnico: Conduza uma avaliação detalhada dos sistemas com base em matrizes de saúde técnica e relevância para o negócio, priorizando investimentos onde o retorno financeiro e operacional seja mais expressivo.
  2. Adoção de modelos de transição incremental: Evite iniciativas de reescrita total e abrupta. Priorize estratégias de migração seguras e incrementais, como o padrão Strangler Fig, reduzindo riscos de parada técnica e garantindo conformidade imediata com a LGPD.
  3. Estruturação de ambientes de nuvem híbrida inteligente: Diante dos desafios de conectividade enfrentados por 39% das empresas brasileiras, os tomadores de decisão devem desenhar arquiteturas híbridas e multicloud integradas, utilizando ferramentas de otimização automatizadas para garantir previsibilidade financeira.
  4. Desenvolvimento de talentos e alinhamento cultural: A modernização da infraestrutura física deve ser acompanhada pelo desenvolvimento de competências internas. Programas de capacitação corporativa, como frentes de AI Upskilling, garantem que as equipes dominem as novas ferramentas e eliminem os silos entre a TI e as linhas de negócio.

Perguntas frequentes sobre modernização de TI

Qual é a diferença real entre modernização de TI e transformação digital?

Embora andem juntas, elas operam em camadas diferentes. A transformação digital é um movimento amplo e cultural focado em mudar o modelo de negócios e colocar o cliente no centro das decisões. Já a modernização de TI é a base técnica que viabiliza essa mudança. 

Ela trata especificamente de atualizar a infraestrutura de hardware, migrar sistemas legados para a nuvem, abrir APIs e otimizar a segurança e a governança de dados. Sem uma TI modernizada, a transformação digital perde escalabilidade e agilidade.

Como o débito técnico afeta o orçamento de inovação de uma empresa?

O débito técnico funciona como um passivo financeiro silencioso. Quando uma empresa adia a atualização de sistemas antigos (como núcleos transacionais em COBOL ou arquiteturas monolíticas), ela passa a gastar energia apenas mantendo o sistema funcionando. 

Estimativas de mercado mostram que o débito técnico chega a drenar mais de 40% de todo o orçamento de desenvolvimento de TI das organizações. Em suma, quase metade do dinheiro que deveria ser usado para criar novos produtos e serviços é desperdiçada em manutenções caras e ineficientes.

O que é o padrão Strangler Fig e por que ele é recomendado para sistemas legados?

O padrão Strangler Fig (ou “padrão estrangulador”) é uma estratégia de migração incremental que evita o risco de uma substituição abrupta do sistema (o temido Big Bang). Na prática, cria-se uma camada de interceptação (gateway de APIs) ao redor do sistema legado. 

As novas funcionalidades começam a ser construídas separadamente na nuvem (como microsserviços), e as antigas vão sendo reescritas aos poucos. O sistema antigo vai sendo “estrangulado” progressivamente até que possa ser desativado com total segurança e sem interromper a operação do negócio.

Quais são os principais desafios enfrentados pelas empresas brasileiras ao migrar para a nuvem?

O amadurecimento das empresas brasileiras em nuvem é evidente, mas a jornada esbarra em barreiras estruturais do nosso mercado. Segundo indicadores do índice INEXTI, a conectividade com a nuvem é o principal obstáculo para 39% das empresas brasileiras, reflexo de instabilidades de banda e infraestrutura regional. 

Além disso, a dificuldade em prever os custos recorrentes e flutuantes de serviços em nuvem pública (FinOps) e a resistência cultural interna para adoção de metodologias ágeis figuram entre as dores mais comuns mapeadas nas organizações.

Conclusão

Modernizar a TI de uma organização vai muito além de trocar servidores ou adotar novas linguagens de programação: trata-se de transformar sistemas rígidos e obsoletos em plataformas de inovação ágeis, robustas e seguras. 

Os dados deixam claro que o mercado brasileiro está acelerando e as empresas que adiarem essa transição enfrentarão gargalos severos de crescimento e segurança.

Para superar esses obstáculos sem gerar impactos negativos na operação corrente, contar com o parceiro estratégico ideal faz toda a diferença. A MJV apoia a superação desses desafios por meio de metodologias consolidadas de Design Thinking, jornadas de nuvem estruturadas e personalizadas e ferramentas automatizadas de otimização de custos.

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