06/26/2019
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MJV Team

Como a Amazon e outras big techs estão revolucionando o mercado de saúde

A Amazon é uma das principais big techs — como são chamadas as grandes empresas de tecnologia — do mercado hoje. 

Nos últimos tempos, a companhia vem investindo no mercado de saúde. As inovações tecnológicas trazidas por ela estão revolucionando este segmento.

Sobre isso, vamos falar nesse artigo. Continue lendo para entender como a Amazon e as demais big techs vêm ampliando seus negócios na área da saúde!

A evolução do mercado de saúde

Em 2019, com uma meta de inflação na casa dos 4,25%, os especialistas estimam que o mercado de planos de saúde deve ter uma alta de 0,1%. Isso comparando com 2018, quando a macroeconomia nacional atingiu seu ponto de maior fragilidade da última década.

Esses dados mostram como ainda há muito a se avançar no sentido de potencializar o acesso à saúde profissional no país. É preciso lembrar, é claro, que o Brasil tem no Sistema Único de Saúde (SUS) uma das mais importantes políticas de acesso universal aos cuidados médicos.

A saúde brasileira em números

Os números brasileiros em saúde são impressionantes. Para citar alguns:

  • estamos em 9º lugar global em gastos com saúde, com 8,5% do PIB, ou US$1.109 per capita;
  • somos a 4ª maior população médica do mundo, com 2,18 médicos para cada mil habitantes;
  • e temos mais de seis mil hospitais de norte a sul. 

O envelhecimento da população preocupa

Uma das frentes que mais preocupam o setor de saúde, no Brasil e no mundo, é o envelhecimento da população. 

Diversos países estão voltando suas atenções para o aumento da expectativa de vida, especialmente no que diz respeito à saúde do idoso. 

A recente discussão em torno da previdência social brasileira é um sintoma disso. 

As inovações tecnológicas na saúde são fundamentais

Quando se fala em inovação na área da saúde, há muitas frentes a serem observadas. A tecnologia tem sido amplamente utilizada para facilitar diagnósticos e tratamentos. Ela também tem sido muito útil em educação e saúde preventiva. 

A introdução da tecnologia digital em substituição de registros em papel, por exemplo, é um divisor de águas no cotidiano dos profissionais da área.

Nos Estados Unidos, segundo um estudo da Universidade de Michigan, a mudança do papel para registros eletrônicos reduz o custo de atendimento ambulatorial em 3%. A estimativa é de que isso gera 5,14 dólares em economia por paciente a cada mês. 

Não há uma pesquisa semelhante a essa no Brasil — ao menos não disponibilizada ao grande público. No entanto, é possível imaginar resultados semelhantes conforme avança a digitalização no país. 

A digitalização promove mudanças radicais

A digitalização também ajuda pacientes a terem acesso a análises clínicas na palma das mãos, em seus smartphones ou tablets. 

No que diz respeito à saúde pública, os dados registrados nos sistemas possibilitam o acesso de pesquisadores a estatísticas alimentadas em tempo real. 

Big Data e Cloud Computing são dois fenômenos tecnológicos que vêm alterando gradativamente a maneira como o mercado de saúde cresce e se desenvolve. Com eles, o volume de informações que não para de crescer é armazenado com mais segurança e analisado com mais rapidez.

A Inteligência Artificial está apontando para o futuro

Também a Inteligência Artificial — e suas subdivisões, como o aprendizado de máquina, por exemplo — está em alta no setor. É a partir dela que é possível evoluir a chamada “telemedicina”, que se refere às videoconferências bidirecionais ou à transmissão de dados de saúde, como eletrocardiogramas. A telemedicina é usada em muitos campos, como os cuidados cardiovasculares.

Em suma, de aplicativos e dispositivos que ajudam a monitorar questões como pressão arterial a cirurgias realizadas por robôs, a evolução tecnológica tem facilitado pesquisas e execuções de serviços inovadores na área de cuidados médicos.

→ Há outras tendências tecnológicas nesta área, como você pode conferir em nosso e-book Tendências de Inovação 2019 no Mercado de Saúde!

Big Techs mudando as regras do mercado global de saúde

Neste movimento, as big techs têm uma participação decisiva. Elas estão dispostas a criar soluções para o mercado de saúde com foco no usuário e em dados.

Por big techs leia-se “as principais empresas de tecnologia, como Google, Amazon, Facebook e Apple, que têm influência [mercadológica e social] excessiva”, segundo o glossário da PC Magazine

Em 2017, uma reportagem do The New York Times já apontava as principais ações das big techs na área de cuidados com a saúde:

  • estimativa movimentar 3 trilhões de dólares anualmente somente com aplicativos de cuidados médicos;
  • Apple implementa um aplicativo no Apple Watch para tentar identificar ritmos cardíacos irregulares — o Apple Heart Study, desenvolvido em parceria com a Stanford University;
  • Microsoft desenvolve serviços de armazenamento e análise online para hospitais e clínicas;
  • Alphabet, empresa controladora do Google, aposta em dados para facilitar as pesquisas na área da saúde;
  • Amazon é uma das principais investidoras da Grail, uma start-up de detecção de câncer etc.

De lá para cá, as big techs intensificaram seus investimentos e o desenvolvimento de soluções e serviços para o setor de saúde. Muitos estudiosos afirmam que elas estão mudando as regras tradicionais do setor. Isso porque têm um grande poder de inovação e disputam entre si quem vai abocanhar mais pedaços desse farto bolo.

Tendo já entrado em setores como finanças e mídia, os pesos pesados ​​de tecnologia agora estão de olho nos gastos globais com saúde. Eles devem chegar a 8,7 trilhões de dólares até 2020.

As big techs estão tirando o sono inclusive da poderosa indústria farmacêutica global. Entre 2013 e 2017, a Alphabet (empresa-mãe do Google) registrou 186 patentes relacionadas à saúde. A Microsoft fez 73 registros e a  Apple, 54. Esse volume representa um aumento de 38% no número de patentes dessas três companhias a cada dois anos.

A estratégia da Amazon para ampliar negócios no mercado de saúde 

Entre as big techs que disputam o mercado de saúde, uma tem tido especial destaque. É a Amazon, que lidera o quesito inovação. Ela vem buscando ampliar sua participação no setor com esforços públicos e admiráveis. 

Em 2018, a Amazon investiu 3,5 trilhões de dólares na área da saúde. Esse investimento aconteceu por várias iniciativas. Sendo as mais impactantes:

Uma grande ambição da Amazon é transformar a Alexa numa espécie de Dr. Amazon. 

Imagine que você tenha uma dor de garganta. Você informa à Alexa e o dispositivo responde perguntando se deseja marcar uma consulta no consultório ou fazer uma consulta virtual. 

Você escolhe a opção virtual, e o médico através da Alexa pergunta sobre seus sintomas. Ele decide enviar um mensageiro para sua casa com um minúsculo dispositivo portátil para fazer alguns testes básicos para coisas como garganta inflamada. O teste dá positivo, então um documento virtual envia uma receita para um antibiótico.

Por trás deste projeto estão a já consolidada Internet das Coisas, que está na retaguarda da Alexa, mas também aplicações de Inteligência Artificial.

E isso é uma revolução, apesar de essa visão do futuro parecer ficção científica. Diversos especialistas apontam que a ideia da Amazon é começar fornecendo coisas como medicamentos e, em seguida, criar meios para facilitar a experiência de administração de saúde aos usuários.  

A Amazon também é dona da Whole Foods. A missão desse braço da companhia de Jeff Bezos é “ajudar as pessoas a se alimentarem de maneira mais saudável”. 

Apesar de não ser oficial, já especula-se que a Amazon deve criar um serviço web para as pessoas acessarem planos de refeições, kits, receitas etc. Uma espécie de “nutricionista virtual”.

Atenção aos usuários e seus dados: o segredo da Amazon e de outras big techs no mercado de saúde

Além da disputa mercadológica, a Amazon e suas concorrentes têm um outro ponto em comum: usuários e dados. 

Elas voltam sua atenção para a experiência dos usuários e seus dados ao criar soluções para a área de saúde. Não podemos nos esquecer que essas companhias têm em seu DNA a Tecnologia da Informação. Logo, a TI é a espinha dorsal de seus investimentos; também é o que rege seus projetos, produtos e serviços em todas as esferas do mercado.

User-Centrism

Uma estratégia bastante usada pelas big techs é o User-Centrism. Esse termo foi cunhado por Rick Levine, Christopher Locke, Doc Searls e David Weinberger no livro The Cluetrain Manifesto (1999). Refere-se à noção de que os consumidores estão cada vez mais controlando como os serviços são entregues a eles, em vez de serem gerenciados com força pelos fornecedores. 

É justamente essa abordagem que faz das Big Techs serem adoradas pelas massas: elas estão constantemente melhorando a experiência dos usuários, potencializando a maneira como fornecem personalização, usabilidade. Enfim, criam e administram produtos e serviços sob medida. 

Data Driven

Ao mesmo tempo, e interligado ao User-Centrism está a gestão estratégica de dados. Entre os vários conceitos que giram em torno disso está o Data-Driven que, em poucas palavras, refere-se à gestão orientada a dados.

Orientadas a dados, as big techs estabelecem processos e operações para facilitar a aquisição das informações necessárias. Também são transparentes quanto às restrições de acesso e aos métodos de governança. Isso leva a técnicas mais maduras como análises prescritivas, descritivas,  diagnósticas e preditivas. 

Em síntese, o diferencial das big techs no setor da saúde, assim como em outras frentes, é a atuação centrada nos usuários. E, ao mesmo tempo, uma gestão de dados sofisticada.

É a partir disso que elas criam sistemas e serviços interativos e mais utilizáveis, por meio da aplicação de fatores humanos/ergonomia e conhecimento em usabilidade e suas técnicas.

Que tal, você conseguiu visualizar o poder das big techs no mercado de saúde? Aprofunde-se mais neste assunto: baixe agora mesmo o e-book Tendências de Inovação 2019 no Mercado de Saúde!

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